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Inventário de sistemas de IA: o que incluir e como encontrar a IA que ninguém declarou

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Um inventário de sistemas de IA é a lista de todos os sistemas de inteligência artificial que uma organização usa ou desenvolve, com a finalidade de cada um, o responsável, os dados tratados, o papel da empresa em cada sistema e o nível de risco segundo o Regulamento de IA. É o ponto de partida de qualquer programa de conformidade com o AI Act ou com a ISO/IEC 42001: sem ele, não dá para saber quais sistemas são de risco elevado nem quais obrigações se aplicam.

O Regulamento não usa a palavra «inventário», mas todas as suas obrigações partem de saber quais sistemas existem. E a parte difícil não é preencher a lista. É encontrar o que ficou de fora dela.

O que conta como sistema de IA

O artigo 3.º, ponto 1, do Regulamento (UE) 2024/1689 define sistema de IA como um sistema baseado em máquina que funciona com algum grau de autonomia e que, a partir da informação que recebe, infere como gerar resultados como previsões, conteúdos, recomendações ou decisões. A palavra que separa a IA do software tradicional é «infere». Uma planilha com fórmulas fixas não é IA; um modelo que aprende com dados para pontuar clientes, sim.

Em fevereiro de 2025, a Comissão publicou diretrizes sobre a definição de sistema de IA, com exemplos do que fica dentro e fora. Na dúvida, nosso critério é incluir o sistema no inventário e registrar por que ele foi descartado. É mais fácil justificar uma exclusão documentada do que explicar por que um sistema não aparecia.

Onde está a IA que ninguém declarou

Se você só pergunta às áreas qual IA elas usam, o mais provável é que apareçam os projetos internos e o assistente de chat que a empresa contratou. O resto fica de fora porque ninguém enxerga aquilo como «um sistema de IA»:

Funções novas em software antigoO CRM que pontua oportunidades, a ferramenta de RH que ordena candidaturas ou o ERP que prevê a demanda.
Ferramentas pagas por uma áreaAssinaturas no cartão corporativo: transcrição de reuniões, geração de imagens, tradução.
Assistentes nas ferramentas de escritórioFunções de IA ativadas no e-mail, no editor de textos ou na suíte de colaboração.
Chamadas a modelos a partir do códigoEquipes de desenvolvimento que conectam uma aplicação interna à API de um modelo de linguagem.
Serviços de terceirosFornecedores que decidem com IA por você: score externo, verificação de identidade, detecção de fraude.
O que você já conheceOs projetos internos de dados e analytics, que costumam ser os únicos declarados.
Onde costuma estar a IA que não aparece no primeiro inventário.

Para encontrá-la, nós combinaríamos três fontes em vez de confiar tudo a um questionário:

  • Contratos e compras. Revisar os contratos de software e os gastos com assinaturas em busca de funções de IA. É a fonte mais confiável, porque tudo o que se paga deixa rastro.
  • Um questionário curto para cada área. Cinco ou seis perguntas sobre ferramentas usadas para decidir, classificar ou gerar conteúdo, com exemplos concretos. Perguntas abertas («vocês usam IA?») trazem respostas vazias.
  • Os registros técnicos. A equipe de TI consegue ver no proxy ou no login único (SSO) quais serviços de IA são acessados a partir da rede da empresa.

Quais dados cada sistema precisa ter

Um inventário útil não é uma lista de nomes. Para cada sistema, no mínimo:

DadoPara que serve
Nome, finalidade e áreaSaber o que ele faz e em qual processo. É a finalidade que define se ele é de risco elevado.
Responsável com nomeUma pessoa responsável, não um departamento.
Fornecedor ou desenvolvimento internoDe quem pedir documentação e quem responde pelo quê.
Papel da empresaPrestador, responsável pela implantação, importador ou distribuidor. Cada papel tem obrigações diferentes.
Dados que utilizaSe trata dados pessoais, vincular ao registro das atividades de tratamento do GDPR (RGPD europeu).
Pessoas afetadasClientes, colaboradores, candidatos, cidadãos. Pesa no risco e na FRIA.
Nível de risco e justificativaProibido, elevado, limitado ou mínimo, com o artigo ou o ponto do anexo III que o justifica.
StatusPiloto, produção ou desativado. Um piloto que ninguém desliga acaba em produção.

O papel da empresa merece um comentário. Quem compra um sistema costuma ser o responsável pela implantação, com as obrigações do artigo 26.º. Mas, segundo o artigo 25.º, se a empresa coloca a própria marca no sistema, faz uma modificação substancial ou o usa para uma finalidade de risco elevado que o prestador não previa, ela passa a ter as obrigações de prestador. Isso acontece com facilidade sem que ninguém perceba, e o inventário é onde fica visível.

Como nós o manteríamos atualizado

Um inventário feito uma vez só fica desatualizado em poucos meses, porque a cada trimestre surgem funções de IA novas nas ferramentas que já estão em uso. O que nós faríamos:

  • Incluir a pergunta «tem IA?» no processo de compra de software e na abertura de projetos, para que os sistemas novos entrem automaticamente.
  • Revisar o inventário completo pelo menos uma vez por ano e sempre que a finalidade de um sistema mudar.
  • Pedir ao fornecedor de cada sistema a documentação que o Regulamento exige dele, principalmente as instruções de uso, e guardá-la junto com a ficha.
  • Vincular cada sistema aos seus riscos, aos seus controles e, se for de risco elevado, à sua avaliação de impacto sobre os direitos fundamentais.

No GlobalSuite® AI Governance, o inventário já vem com os níveis de risco do AI Act, e cada sistema passa por um questionário de classificação. A partir da ficha você vincula os riscos, os requisitos e os incidentes do sistema, então o inventário deixa de ser uma lista à parte e passa a ser a base de todo o resto.

Os prazos para ter tudo isso pronto estão no calendário do AI Act após o Omnibus Digital.

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