Taxonomia de riscos: o que é, como construir e um exemplo

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Uma taxonomia de riscos é a lista ordenada de categorias em que uma organização classifica todos os seus riscos, com uma definição para cada uma. Ela serve para que o mesmo risco tenha o mesmo nome em todas as áreas e para que seja possível somar: quantos riscos de cibersegurança estão acima do apetite, que área concentra as fraudes ou o que mudou desde o último comitê.

Sem taxonomia, cada área monta o seu registro do seu jeito. O Financeiro anota “fraude em pagamentos”, Compras anota “fornecedor falsificado” e TI anota “phishing direcionado a contas a pagar”. É o mesmo risco avaliado três vezes, com três notas diferentes, e o relatório consolidado não percebe.

Três níveis costumam bastar

O formato mais comum é uma hierarquia. O nível 1 tem poucas categorias amplas, as que a diretoria entende. O nível 2 divide essas categorias em subcategorias com as quais cada responsável trabalha. O nível 3 é o risco concreto, como aparece no registro, com seu dono e sua avaliação.

EstratégicoFinanceiroOperacionalTecnologia e cibersegurançaTerceirosCompliance e jurídicoPessoas
Nível 1Operacional
Nível 2Fraude externa
Nível 3Pagamento a um fornecedor falsificadoDono: Tesouraria
Nível 1Tecnologia e cibersegurança
Nível 2Acesso não autorizado
Nível 3Roubo de credenciais do ERPDono: TI
Nível 1Terceiros
Nível 2Fornecedor crítico
Nível 3Queda prolongada do provedor de nuvemDono: Operações
Nível 1Compliance e jurídico
Nível 2Proteção de dados
Nível 3Incidente de dados não comunicado no prazoDono: Encarregado (DPO)
Exemplo de taxonomia em três níveis. No alto, as categorias de nível 1; abaixo, quatro delas desdobradas até o risco concreto do registro.

Mais de três níveis quase nunca compensa. Cada nível a mais é uma decisão a mais na hora de cadastrar um risco, e quando a decisão é difícil as pessoas acabam escolhendo “outros”. Para o nível 1, entre seis e dez categorias costumam ser suficientes: com menos, tudo cai em “operacional”; com mais, o comitê já não consegue ler o relatório de relance.

Não comece do zero: Basileia e ORX

A classificação mais usada vem dos bancos. O marco de Basileia define o risco operacional como o risco de perdas resultantes de falhas ou deficiências em processos, pessoas e sistemas internos, ou de eventos externos. A definição inclui o risco legal e deixa de fora o estratégico e o reputacional (OPE10.1). Para classificar as perdas, o mesmo marco usa sete tipos de evento de nível 1 (OPE25.17, tabela 2), que servem para quase qualquer empresa, mesmo que não seja um banco.

Tipo de evento (nível 1)O que entra
Fraude internaAtos para fraudar, apropriar-se de bens ou burlar a lei ou as normas da empresa com a participação de pelo menos uma pessoa de dentro.
Fraude externaO mesmo, cometido por um terceiro: roubo, falsificação, ataques cibernéticos com perda financeira.
Relações trabalhistas e segurança no trabalhoDescumprimento de normas trabalhistas, de saúde ou de segurança, indenizações por danos pessoais e casos de discriminação.
Clientes, produtos e práticas de negócioDeixar de cumprir, por negligência, uma obrigação profissional com clientes específicos, ou um produto mal desenhado.
Danos a ativos físicosPerda ou dano de bens físicos por desastres naturais ou outros eventos.
Interrupção do negócio e falhas de sistemasFalhas de hardware, software, telecomunicações ou serviços de utilidade pública.
Execução, entrega e gestão de processosErros no processamento de operações, prazos perdidos e falhas com contrapartes e fornecedores.

O problema dessa lista é a época em que foi feita. Ela não separa a cibersegurança, a conduta nem a dependência de terceiros, que hoje são as perguntas que mais chegam ao comitê. Para cobrir essa lacuna, a associação setorial ORX publicou em novembro de 2019, com a Oliver Wyman, uma taxonomia de referência de tipos de evento que incorpora esses riscos sem romper com os tipos de Basileia. A própria ORX esclarece que ela não foi pensada para ser adotada como está, e sim como ponto de partida para cada organização construir a sua.

Se a sua empresa não é um banco, o que nós faríamos é isto: usar os sete tipos de Basileia como esqueleto do risco operacional e acrescentar ao nível 1 o que Basileia deixa de fora, como o risco estratégico e o financeiro. Tecnologia e terceiros merecem categoria própria assim que pesarem no negócio; se não, ficam como subcategorias de operacional.

Evento, causa e consequência: não misture

É o erro que mais estraga uma taxonomia. No mesmo registro aparecem como riscos diferentes “falta de treinamento da equipe”, “pagamento a um fornecedor falsificado” e “dano reputacional”. O primeiro é uma causa, o segundo é um evento e o terceiro é uma consequência. Quando eles se misturam, o mesmo problema é contado várias vezes e os controles são atribuídos ao nível errado.

Causas
Troca de conta bancária aceita por e-mail
Sem dupla aprovação do primeiro pagamento
Equipe de pagamentos sem treinamento em fraude
Evento (o risco)
Pagamento na conta de um fornecedor falsificado
Consequências
Perda do valor pago
Cobrança do fornecedor verdadeiro
Dano reputacional com os bancos
O que se classifica na taxonomia é o evento do centro. As causas e as consequências são registradas como atributos desse risco.

A taxonomia classifica eventos. As causas servem para escolher controles preventivos e as consequências, para avaliar o impacto. A ORX chegou à mesma conclusão: em 2020 publicou separadamente uma taxonomia de causas e impactos, que complementa a de tipos de evento. O risco reputacional se encaixa melhor como consequência do que como categoria, o que é coerente com o fato de Basileia deixá-lo fora da sua definição.

Regras para que a taxonomia seja usada

  • Uma definição por categoria. Uma ou duas frases, com um exemplo do que entra e outro do que não entra. Sem definição, cada área interpreta a categoria do seu jeito.
  • Categorias que não se sobreponham. Se um risco cabe em duas, o problema está nas definições, e não em quem classifica.
  • Um responsável por categoria de nível 1. É quem decide em caso de dúvida e quem apresenta essa categoria ao comitê.
  • Ficar de olho em “outros”. Se cada vez mais riscos vão parar ali, está faltando uma categoria.
  • Normas não são categorias. ISO 27001, DORA ou a LGPD se relacionam com os riscos por meio de etiquetas ou dos controles. Se “LGPD” for uma categoria, o risco de incidente com dados pessoais acaba duplicado em “LGPD” e em “Proteção de dados”.
  • Versionar. Revisar uma vez por ano e, se mudar, reclassificar o histórico. Se não, a comparação com o ano anterior perde o sentido.

A taxonomia é a base da análise de riscos. Com ela, a avaliação de risco inerente e residual e a comparação com o apetite de risco também podem ser feitas por categoria.

O módulo de Gestão de riscos do GlobalSuite® já vem com catálogos de riscos e controles carregados para ISO 31000, COSO ERM e ISO 27005, e aceita também a metodologia própria de cada organização. Se você quiser ver como ficaria a sua taxonomia, peça uma demonstração.

Fontes: marco de Basileia do Comitê de Supervisão Bancária, capítulos OPE10 e OPE25 (em vigor desde 1º de janeiro de 2023), e ORX Reference Taxonomy. Os nomes dos tipos de evento de Basileia foram traduzidos por nós. Os exemplos são ilustrativos e não correspondem a nenhum cliente. Conteúdo revisado em outubro de 2026.

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